27 de novembro de 2012

Gravidez na adolescência e a escola


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A gravidez causa inúmeras moficações na vida de uma adolescente. No que se refere ao contexto escolar,  pode se constituir  em um obstáculo, tendo em vista que muitas vezes, ao engravidarem, as adolescentes não recebem apoio necessário da família e  nem da escola para lidar com essa situação . Leia o artigo abaixo:

A descoberta da gravidez na adolescência

A adolescência é uma etapa importante da vida na qual o indivíduo se encontra em uma fase de transição entre a infância e a idade adulta. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o período da adolescência é compreendido entre 10 e 19 anos e se refere a um período de mudanças físicas e emocionais, momento de conflitos e crises, decorrentes de mudanças bio-psico-sociais.

É um período marcado por descobertas, sonhos, incertezas, projetos e alterações tanto no corpo quanto na mente; uma fase complexa e, se neste contexto surge uma gravidez, esta implicará desafios os quais a adolescente terá que enfrentar na tentativa de aprender a lidar consigo mesma neste momento difícil da vida e com sua família, amigos e colegas de escola e com a própria escola enquanto local onde, muitas vezes, estão depositadas todas as esperanças de alcance de um futuro melhor. Segundo Bueno (2003) apud Corrêa (2009, p. 19),

A adolescência implica num período de mudanças físicas e emocionais considerado, por alguns, um momento de conflito ou de crise. Não podemos descrever a adolescência como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial da pessoa, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo. A puberdade, que marca o início da vida reprodutiva da mulher, é caracterizada pelas mudanças fisiológicas corporais e psicológicas da adolescência. Uma gravidez na adolescência provocaria mudanças maiores ainda na transformação que já vinha ocorrendo de forma natural.

Educação sexual e gravidez na adolescência

Assim, a gravidez na adolescência constitui-se um problema de relevância social que precisa ser tratado também no âmbito escolar de modo que, através da informação e de uma educação sexual correta, se possa minimizar os altos índices de sua ocorrência. No entanto, se a gravidez precoce acontece é preciso que se acolha a menina, oferecendo-lhe subsídios para que ela possa encarar a gravidez e compreender as mudanças que acontecem durante esse período.

Neste sentido, a escola tem um papel fundamental para enfrentar esta questão e para contribuir na educação dos adolescentes, pois é aí que eles passam parte significativa do seu dia; nela estabelecem relações afetivas, constroem amizades, aprendem a conviver com pessoas diferentes e constroem conhecimentos. Desse modo, a escola tem também a função de atuar no sentido de orientar aos alunos acerca de sua sexualidade na tentativa de evitar a ocorrência de gravidez na adolescência e quando esta ocorre, ela precisa estar preparada para acolher as futuras mães de forma que elas não se sintam rejeitadas, humilhadas, diferentes das demais e nem abandonem os estudos.

O papel da escola na educação sexual

A escola é um lócus relevante para abordar a sexualidade. Os professores devem orientar os alunos, mas para isso é preciso que eles também estejam preparados para esclarecer as dúvidas relativas à questão. De acordo com Teles (1992, p.51),

os professores encarregados de educação sexual na escola devem ter autenticidade, empatia e respeito. Se o lar está falhando neste campo, cabe à escola preencher lacunas de informações, erradicar preconceitos e possibilitar as discussões das emoções e valores.

O espaço escolar deve propiciar aos alunos mais do que a aquisição de conhecimentos constantes em sua matriz curricular, mas deve promover a formação humana de seus estudantes e esta perpassa pelo âmbito da sexualidade, muitas vezes pouco ou nada abordada no contexto familiar.

Neste sentido, é necessário que ações sejam planejadas, no ambiente escolar, na intenção de minimizar os índices de gravidez na adolescência. O ideal seria que família e escola juntas atuassem no sentido de oferecer orientação sexual aos adolescentes, contudo nem sempre a família cumpre essa função legando à escola o encargo de promover uma educação sexual adequada. Muitas vezes a escola também falha por causa do despreparo docente para tratar as questões sexuais, pelos preconceitos e tabus que ainda existem no tocante ao sexo ou até mesmo pelo fato de alguns docentes não reconhecerem como sua atribuição proporcionar aos alunos as orientações e informações necessárias acerca da sexualidade.

Gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis

Mal informados e muitas vezes sem ter ninguém que os oriente a respeito do sexo, muitos adolescentes iniciam sua vida sexual por força de seus instintos, sem precaução alguma para evitar a contração de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou a ocorrência de gravidez, elevando as estatísticas que comprovam que “no Brasil, a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhos de adolescentes” (BUENO apud CORRÊA, 2009, p.24). De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher,

acentua-se um rejuvenescimento do processo reprodutivo. A fecundidade das mulheres mais jovens (15 a 19 anos) passou a representar 23% da taxa total, em 2006, em contraste com 17% em 1996 (…). Entre as jovens de 15 a 19 anos, 23% estavam grávidas no momento da pesquisa e 12% já estiveram grávidas, mas não tiveram filhos nascidos vivos (PNDS-2006, p.34).

A organização curricular do sistema educacional brasileiro deixa para a sociedade a expectativa de que todos os jovens concluam o ensino médio até os 18 anos; porém, é grande o número de adolescentes que engravidam e abandonam a escola devido às dificuldades para estudar, cuidar do filho e, muitas vezes, trabalhar para sustentar a criança sozinha, sem o apoio do parceiro que, na maioria das vezes, também é adolescente e demonstra dificuldade para assumir suas obrigações paternas.

Gravidez precoce e o mercado de trabalho

A gravidez na adolescência é uma das principais causas de evasão escolar, assim, faz-se necessário que sejam tomadas providências para o enfrentamento dessa questão para diminuição dos índices de evasão escolar, pois com ela vêm à tona várias outras conseqüências.

Quando uma adolescente abandona a escola está perdendo oportunidades de trabalho, pois, o mercado está cada vez mais exigente e competitivo e, nesse caso, a adolescente terá menos condições para competir com outros profissionais mais qualificados por terem continuado a estudar. Conseqüentemente, a jovem acaba se vendo obrigada a se submeter a trabalhos subalternos, sem registro em carteira e, desse modo, sua situação piora cada vez mais.

Fonte: Silvia Janaina Silveira Gomes